segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Feliz por nada....

FELIZ POR NADA

Geralmente, quando uma pessoa exclama Estou tão feliz!, é porque engatou um novo amor, conseguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estudos, perdeu os quilos que precisava ou algo do tipo. Há sempre um porquê. Eu costumo torcer para que essa felicidade dure um bom tempo, mas sei que as novidades envelhecem e que não é seguro se sentir feliz apenaspor atingimento de metas. Muito melhor é ser feliz por nada.
Digamos: feliz porque maio recém começou e temos longos oito meses para fazer de 2010 um ano memorável. Feliz por estar com as dívidas pagas. Feliz porque alguém o elogiou.
Feliz porque existe uma perspectiva de viagem daqui a alguns meses. Feliz porque você não magoou ninguém hoje. Feliz porque daqui a pouco será hora de dormir e não há lugar no mundo mais acolhedor do que sua cama.
Esquece. Mesmo sendo motivos prosaicos, isso ainda é ser feliz por muito.
Feliz por nada, nada mesmo?
Talvez passe pela total despreocupação com essa busca. Essa tal de felicidade inferniza.
“Faça isso, faça aquilo”. A troco? Quem garante que todos chegam lá pelo mesmo caminho?
Particularmente, gosto de quem tem compromisso com a alegria, que procura relativizar as chatices diárias e se concentrar no que importa pra valer, e assim alivia o seu cotidiano e não atormenta o dos outros. Mas não estando alegre, é possível ser feliz também. Não estando “realizado”, também. Estando triste, felicíssimo igual. Porque felicidade é calma.
Consciência. É ter talento para aturar o inevitável, é tirar algum proveito do imprevisto, é ficar debochadamente assombrado consigo próprio: como é que eu me meti nessa, como é que foi acontecer comigo? Pois é, são os efeitos colaterais de se estar vivo.
Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem.
Se é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento. De querer se adequar à sociedade e ao mesmo tempo ser livre.
Adequação e liberdade simultaneamente? É uma senhora ambição. Demanda a energia de uma usina. Para que se consumir tanto?
A vida não é um questionário de Proust. Você não precisa ter que responder ao mundo quais são suas qualidades, sua cor preferida, seu prato favorito, que bicho seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem-intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa.
Ser feliz por nada talvez seja isso.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

A DISCIPLINA DA FELICIDADE

Felicidade é disciplina. 
Pode soar estranha a minha leitura. 
Mas não é loucura, transgressão, exceção, fugir do óbvio. 
É viver o normal potencializado pelas palavras e pelos rituais. É viver o normal em outra dimensão do sensível. 
A felicidade vem de um estado quase militar, quase estoico, de dividir o sol e a lua em hábitos para se repartir melhor, de respirar controlando a respiração, de caminhar com o peso das unhas (pois as unhas pesam quando tudo está leve). 
Não sonhar, mas ter disciplina para cumprir a fantasia. Não desejar, mas ter disciplina para elaborar a vontade. 
O precário pode ser o essencial, a pobreza pode ser o fundamental. A riqueza surge da percepção, como recebo!; é o que importa. 
Não é que a vida é pouca, é que estamos sendo poucos para a vida naquele momento.
Felicidade é estar dentro dos limites, e perceber cada um deles como proteção, em vez de censura e proibição.    
Felicidade é intensidade. É se pôr inteiro no lugar que você está, não no minuto anterior, nem no próximo minuto. Inteiro: beber o tempo que a sua boca pode beber, não beber com os olhos ou com os ouvidos, que bebem o infinito e se afogam. 
Não querer tudo, querer o que se necessita. 
Porque a ansiedade não é esperança, é agredir o instante. 
Contar com a consciência daquele ato: o motivo de estar ali, a necessidade de estar ali, a urgência  de estar ali. 
Não transar por transar: transar sabendo com quem está transando, sabendo a importância daquela história, o motivo daquela pessoa passar pelo seu corpo, o quanto ela lhe dá prazer, o significado de cada abraço, beijo, lambida, toque, sussurro.
Não agir pela carência, e sim pela escolha. Eleger a si todo o dia para o mundo. 
Felicidade é consciência apurada.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

AS VEZES SÓ QUEREMOS ALGUÉM QUE ENTENDA...


Que entenda que nem sempre acordaremos bem e, que mesmo de mal-humor, amaremos do mesmo jeito.
Que entenda que nem sempre nos sentiremos seguros e que precisaremos sim, de periódicas declarações de amor. Que nem sempre gostaremos daquele seu amigo do peito, afinal, existe gosto para tudo. Alguém que entenda que as vezes sentiremos ciúmes e outras vezes não, e isso é realmente confuso, até mesmo para nós. Que devemos sim ter privacidades, mas que nada fica escondido para sempre.
Que entenda que precisaremos de espaço e que isso não significa que não queremos mais a sua companhia. Que as vezes não apreciaremos a sua roupa nova, mas mesmo assim respeitaremos o seu direito de passar vergonha na rua e, além disso, provaremos o nosso amor e andaremos de mãos dadas contigo. Que entenda que de vez em quando terá que decifrar os nossos olhares, já que recorreremos ao direito de permanecermos calados.
As vezes só queremos alguém que entenda que mesmo havendo altos e baixos, devemos encarar com o mesmo amor e a mesma responsabilidade, os prazeres e as batalhas que constroem um relacionamento.

Ela mudou

Você vai perdê-la por não conseguir enxergar tão longe quanto ela. Se parar pra pensar direito, verá que seus sonhos são opostos ao dela. Se você parar de mirar apenas ao próprio umbigo, perceberá que ela precisa de alguém que ande junto. Você tem servido apenas como âncora dos dias que ela apenas quer deixar pra trás. Não é para negar o passado, mas ela quer o futuro. Você quer continuar a prendendo ao que um dia ela foi.
Não sei se você reparou, mas ela mudou.
Um dia você abrirá os olhos e verá apenas os passos mudos da despedida que já está anunciada. Conseguirá ver uma lágrima furtiva descer pelo rosto dela junto com um “eu te avisei” inconveniente. Ela te lembrará de todas as vezes que perguntou “vamos?” e você se conformou com o lugar onde estava. E aí entenderá que a sua zona de conforto era a morte pra ela. Que a sua falta de ambição na vida era o jazigo perpétuo de vocês dois.
Sei que nessa hora, diante do estrago já feito, você vai partir correndo ao encontro dela e pedir pra refazer o caminho. Vai bater no peito dizendo que consegue mudar o que é e que quer viver todas essas expectativas com ela.Tenho certeza de que ela acreditará na sua promessa, mas não terá mais coragem de fazer força sozinha. Ela aprendeu que amar sozinha não é amor, é fardo.
E aquilo que a trava o riso deve ser deixado para trás.
Te digo isso tudo, cara, porque pode ser até que você não tenha enxergado o fim apontando na reta. Pode ser que no seu íntimo você acabe encontrando um desejo de não continuar nessa história. Talvez sobre o apego, sobre um resquício de vontade em fazer durar, sobre um capricho. Aviso: é inútil. Não há porquê se prender a um romance andando de mãos dadas com o fracasso por simples desejo. Reconhecer o final também é um carinho.
Abra bem seus olhos. Não apenas para ela, mas para o que você mesmo quer da sua vida. Não a prenda e não se prenda, mas se for para abraçá-la com força, entenda toda a força dos sonhos dela. Demore-se nos planos que traçou e compreenda que ela não vai abrir mão deles. Ela quer ir aonde for contigo, mas o seu desejo de ficar parado torna inevitável a separação. Você vai perdê-la pelo simples fato de que não quer estar nos lugares onde ela quer chegar.
E esse amor acabará ficando pra trás.

UM TEXTO PARA QUEM NÃO É FÁCIL DE AMAR


Eu não sou uma pessoa fácil de amar. Alguns dias eu vou sussurrar como você é perfeito, ao plantar beijos suaves em todo seu corpo. Você vai rir e tentar lutar comigo e, nesse momento, o meu coração vai estar leve.
Mas, outros dias em que minha mente é uma nuvem de tempestade que ameaça explodir, vou ser um conjunto de emoções que nunca poderão ser contidas. Fria, distante, apática. Talvez você olhe para mim sabendo que não foi por essa mesma menina que se apaixonou.
Eu sou um interruptor de luz quebrado. Meu humor pisca sem que ninguém mexa no tal interruptor. Eu acordo todas as manhãs e me pergunto o que eu vou ver na frente do espelho. Eu acordo pensando que tipo de pessoa serei para você naquele dia que começa. Você é tão fácil.
Mas, eu mesma, não sou fácil de amar. Eu vou brigar com você sem motivo, vou fechar a cara e fazer bico, vou implicar com a sua calça jeans, e o jeito que você me acorda no domingo. Vou odiar quando você resolver me irritar de propósito, sentir vontade de te matar quando eu te ver conversando com outra que não seja eu. Não vou gostar desse sentimento de possessão, de ver o ciúme tomando conta de mim, então vou descontar em você. Vou te afastar. É, eu avisei, não sou fácil.
Eu sei que existem dias em que você quer desistir de mim, mas eu estou pedindo que você, por favor, não. Você é o único que tem sido capaz de resolver a tempestade aqui de dentro, antes mesmo de eu perceber que tudo está vindo à tona.
Eu não sou fácil de amar. Mas espero que eu seja a única que faz você querer ficar em algum lugar. Não sou fácil, não. Mas eu prometo que vou sempre te amar, não importa como meu interruptor de luz vire naquele dia.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Eu sempre mar agitado, ele sempre calmaria...

E quando eu menos esperava, apareceu alguém pra mudar 

minha vida, mudar minha rotina, me virar do avesso. Não 

sei se com isso ele quer me salvar, ou fazer com que eu me 

perca de vez. Sem problemas, eu pago o preço, corro o 

risco. Nunca fui de correr do amor por medo. Medo eu tenho 

de sobra, mas eu supero, sigo em frente, e seja o que Deus 

quiser. Mas agora, com ele, está sendo tudo tão diferente, 

novo, e bom. Juro que nunca vivi algo assim, tão calmo, tão 

maduro, tão tranquilo. É claro que eu continuo com as 

minhas crises de medo, e minha insegurança excessiva, 

mas agora eu durmo tranquila, e acordo feliz. E eu nem sei 

direito o que ele me causa, mas eu sei o bem que ele me 

faz, e só isso importa agora. Eu, sempre mar agitado, ele 

sempre calmaria; se tornou meu refúgio, me trouxe um 

pouco mais de paz. Quando tudo era escuridão, ele se 

tornou luz, me fez enxergar além, consegui perceber que 

tudo o que vivi antes, me fez caminhar até aqui, levou o 

meu 

caminho até ele. Ele sempre mais calmo, mais tranquilo, 

mais maduro; eu sempre menina, afobada, querendo tudo 

agora; aprendi à esperar, aprendi que tudo tem seu tempo. 

Não sei bem como aconteceu, e nem o que vai acontecer, 

só 

sei que eu to me permitindo viver toda essa loucura, sem 

medos, sem cobranças, sem idealizações.



Ela...

Ela parece boba, inocente, sonhadora. Mas não é nada disso. Ela é só uma espécie em extinção. Ela idealiza tudo, enfeita o banal, colore o medíocre, e enxerga uma luz no fim de qualquer túnel escuro.
Ela não teme. Não teme o inesperado, o desconhecido, nem a desilusão. Ela se ‘joga’ mesmo, de olhos fechados e sem pára-quedas. Seu lema é que a vida, de tão rara e curta, deve ser vivida por inteiro. Sim, ela alimenta expectativas, dá mais do que recebe e sonha alto.
É apontada como uma  inconsequente, desvairada, sem juízo, mas não. Ela tem dentro de si uma ânsia em acreditar, tentar, arriscar. Ah, e ela também não sabe esperar. É urgente no que quer.
Romântica incurável, ela não acha ilusão acreditar em fidelidade nem em amor eterno. Ela crê nisso, mas não encara isso como pré-requisito para a felicidade. Ela sabe que a felicidade é totalmente relativa. Mas sabe também que, em qualquer caso, felicidade exige coragem. E muita.
Ela tem pena de quem aceita conviver com a incerteza, com a dúvida, com o morno. Ela prefere o ‘não’ seco, do que o ‘talvez’ doce. Ela parece sensível, mas é forte. Ela parece dura, mas é frágil. Ela não é nenhuma bonequinha de luxo, boazinha, meiguinha, mas tem um coração que não cabe dentro de si.
Ela é impulsiva, e por vezes deixa as emoções falarem por si só. Ás vezes, embalada pelo frenesi do momento, solta as palavras meio que num ato escorregadio. O que costuma lhe gerar sérios problemas. Mas embora as palavras não voltem, ela até tenta reparar a bagunça que causou.
Ela se machuca, sim, não é difícil prever isso. Mas não por que quer, ela não é nenhum tipo de masoquista. Mas sim por que é escrava da urgência, do completo, da intensidade, do agora. E nem sempre o mundo fala a sua língua e acompanha seu ritmo.
Quem é ela? Não sei, só sei que ela é assim.