Felicidade é disciplina.
Pode soar estranha a minha leitura.
Mas não é loucura, transgressão, exceção, fugir do óbvio.
É viver o normal potencializado pelas palavras e pelos rituais. É viver o normal em outra dimensão do sensível.
A
felicidade vem de um estado quase militar, quase estoico, de dividir o
sol e a lua em hábitos para se repartir melhor, de respirar controlando a
respiração, de caminhar com o peso das unhas (pois as unhas pesam
quando tudo está leve).
Não sonhar, mas ter disciplina para cumprir a fantasia. Não desejar, mas ter disciplina para elaborar a vontade.
O precário pode ser o essencial, a pobreza pode ser o fundamental. A riqueza surge da percepção, como recebo!; é o que importa.
Não é que a vida é pouca, é que estamos sendo poucos para a vida naquele momento.
Felicidade é estar dentro dos limites, e perceber cada um deles como proteção, em vez de censura e proibição.
Felicidade
é intensidade. É se pôr inteiro no lugar que você está, não no minuto
anterior, nem no próximo minuto. Inteiro: beber o tempo que a sua boca
pode beber, não beber com os olhos ou com os ouvidos, que bebem o
infinito e se afogam.
Não querer tudo, querer o que se necessita.
Porque a ansiedade não é esperança, é agredir o instante.
Contar com a consciência daquele ato: o motivo de estar ali, a necessidade de estar ali, a urgência de estar ali.
Não
transar por transar: transar sabendo com quem está transando, sabendo a
importância daquela história, o motivo daquela pessoa passar pelo seu
corpo, o quanto ela lhe dá prazer, o significado de cada abraço, beijo,
lambida, toque, sussurro.
Não agir pela carência, e sim pela escolha. Eleger a si todo o dia para o mundo.
Felicidade é consciência apurada.
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